Pirulito (David) e Baunilha (Afrodite)

Resgate / Vida no abrigo:

David era um gato tímido. Ele é filho da Vivi, uma super mãezinha que passou pelo BG com seus filhotes naturais e vários adotivos, como Théo, Lobão e Charlie. Dos seus filhotes naturais só o David permaneceu no BG. Todos, inclusive a mamãe, foram adotados, e o tempo foi passando… Praticamente nascido no BG, David aguardava há um ano e meio sua chance. Mas ele era tímido… Os adotantes chegavam e ele preferia ficar quieto, na dele. E foram tantas feiras… Mas eis que a adotante chegou em novembro de 2014! Foi amor à primeira vista! A timidez dele não a intimidou. A adaptação surpreendeu a todos e mal se pode dizer, hoje, que o David seja o mesmo gatinho tímido do BG, que até aceitava carinho, mas contrariado. Hoje ele e seu irmão felino são felizes e até acordam sua mamãe com lambeijos cheios de amor.

Afrodite e seu irmão Sultão chegaram bem pequenos e órfãos ao BG. Como ainda estavam frágeis, depois de uns dias, mesmo recebendo vitaminas e antibióticos, tiveram que ser internados com diarreia, gripe e anemia. Terminaram o tratamento na casa da voluntária Gloria. Quando retornou para o BG foi adotada rapidamente, porém, devolvida no dia seguinte.
E, um ano e dois meses depois, nossa oncinha pintada foi escolhida por uma família muito especial! Ela foi finalmente adotada pela família do Pirulito, que foi uma das adoções mais emocionantes que já tivemos. E a nossa oncinha Afrodite não poderia esperar por uma família mais amorosa, ao lado dos irmãos Pirulito e Tapioca. Adotada em abril de 2015, ela hoje se chama Baunilha.

Depoimento adotante – Priscila

A vida inteira eu sempre tive bichos. De todos os tipos, todas as cores, todos os humores. O único animal que eu nunca tinha tido sequer contato era gatos. Não sei exatamente o porquê. Até o dia em que eu me mudei para um apartamento. Não queria ficar sem bichos, não poderia ter um cachorro porque ele ficaria muito tempo sozinho, não queria um peixe porque a interação é muito pouca. Aí me sugeriram gatos. Fiquei quase um ano pensando na possibilidade. “Gatos são traiçoeiros. Gatos não gostam dos donos. Gatos não interagem. ” Conversei com algumas pessoas que tinham, tive um breve contato com a gata de uma amiga, li bastante a respeito (hoje sei que li verdades e mentiras – é preciso achar fontes confiáveis). Até que, ainda com um pé atrás, decidi tentar. Encontrei a Gato Uai pela internet e fiz contato. Queria dois gatos. Fiz a entrevista, e dois dias antes de buscar os irmãos que eu tinha escolhido, acabei sendo adotada por um gato que foi abandonado na minha rua. Decidi então adotar apenas mais um. Fui ao abrigo ainda sem saber direito como lidar com eles. Lá vi gatos de todo jeito. Carinhosos, medrosos, ariscos, engraçados, brancos, pretos, cinzas, coloridos. Vários gatos se jogando no colo de quem chegasse, ávidos por atenção. Mas um frajolinha me chamou atenção. Seu nome era David. Ele ficava no cantinho, com a cabeça baixa, olhando de rabo de olho. Perguntei por ele, a voluntária que me acompanhava falou: “esse é o David. É manso, mas assustado. Não aceita carinho espontaneamente. ” Continuei no abrigo por mais uns 40 minutos. A indecisão era grande, muita vontade de levar todos para casa, pouco traquejo com esses seres que eu nunca tinha tido contato na vida. A cada um que eu interagia, eu olhava para o cantinho e lá estava David me olhando de soslaio. Acho que ele pensava “tudo bem, é só mais uma adotante de um gato extrovertido e brincalhão. Daqui a pouco ela vai embora e eu vou ficar aqui sozinho de novo”, mas eu me apaixonei por ele.  Geralmente os gatos escolhem os donos, mas nesse caso eu que escolhi mesmo. David me odiou no primeiro momento. Ficamos um bom tempo correndo atrás dele para poder trazê-lo para sua nova casa. Jamais vou esquecer a carinha de contrariado dele na foto oficial de adoção ahahaha chegando em casa, eu tinha dois gatos recém chegados e não tinha a menor ideia de como lidar com eles. Mas dizem que quando a pessoa não tem consciência do tamanho do desafio, acaba sendo fácil. Foi assim com David (que foi batizado de Pirulito). Depois de 3 dias debaixo do armário da cozinha, eu não aguentei e de madrugada fui lá decidida a fazer amizade com ele. Passei algumas horas deitada no chão, com a mão próxima dele, pra ele se acostumar comigo. E aí lembrei que uma amiga tinha me falado que se piscarmos bem devagar, isso é sinal de confiança que passamos para o gato. Fiz isso, e não é que ele saiu de baixo do armário? Em uma semana ele já aceitava carinho e as veteranas do abrigo ficaram abismadas com o tempo recorde que um gato totalmente assustado passou a ser um gato que dá cabeçadinhas pedindo afago. Seis meses depois, em uma visita despretensiosa ao abrigo, acabei conhecendo Afrodite. Era uma tigrada miúda que estava escondida debaixo do edredom da cama. Com poucos minutos ela ganhou o meu coração pedindo carinho e ronronando alto. Porém, ao trazê-la para casa, Baunilha (seu novo nome) ficou bastante assustada e não aceitava mais carinho. Embora já conhecesse Pirulito do abrigo, ela teve muita dificuldade em acostumar com seus dois irmãos e com a casa nova. Mas dizem também que a paciência é uma virtude… Baunilha levou 6 meses para se acostumar com o novo ambiente, e com muito amor, paciência e respeito ao tempo dela, tudo ficou bem. Hoje Baunilha chega a babar de tanto ronronar no meu colo! Além disso, é uma gata com hábitos de cachorro, que adora trazer os brinquedos para eu jogar e ela buscar pra eu jogar de novo! rsrs Bom, essa é a história do Pirulito e da Baunilha e de como eles enchem a minha vida de amor!