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Adotei um gatinho cego

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Ter um gatinho com necessidades especiais normalmente é visto como algo muito desafiador e que exige muito de seus tutores. Muitos acreditam que será necessário fazer adaptações em suas vidas (e casas) para receber o novo animal, porém mostraremos que em pouco tempo e com carinho e paciência, estes animais muito inteligentes têm mais a nos ensinar do que imaginamos!

Gatinha Maria

Para falar sobre deficiência visual em felinos, reunimos algumas voluntárias do BarraGato para dividir suas histórias e experiências. Acreditamos que dividir e instruir é um ótimo caminho para acabarmos com pré-conceitos e quem sabe incentivar mais adoções especiais.

Três histórias. Um mesmo amor.

Quando encontrou Maria junto com seu irmão, Glória não teve dúvidas que ela precisaria de um lar tão especial como ela. Nascida cega, com mais ou menos 40 dias de vida ela não demorou para se adaptar a casa, ela sabia exatamente onde estava a água e comida. Já no segundo dia, seguia os passos de sua tutora, um grude só que nunca mudou. Seu lugar na cama é garantido.

Gatinha Sansa

Assim como Glória, Carolina acredita que adotou uma “falsa cega”, visto que sua gatinha Sansa parece enxergar perfeitamente, até é capaz de pegar mínimos insetos voadores ainda no ar. A gata que era conhecida como KitKat
em nosso abrigo (BG) passou por maus bocados até chegar nas tias do Gato Uai. Resgatada de uma acumuladora de gatos, nasceu sem os olhos e precisou de uma cirurgia para fechá-los por completo.

Gatinha Joaquina

A gatinha carioca, Joaquina também nasceu cega. Ela, que já virou estrelinha, foi resgatada de uma mata no Rio de Janeiro. Seus tutores, Cláudia e Pedro, contam que a conheceram em uma feira de adoção, ela que parecia muito assustada em uma caixa de transportes, ainda tão pequena, se transformou em uma gata espoleta e que adorava correr pela casa. Eles jamais tiveram problemas com adaptação. Tanto que ela veio do Rio para Belo Horizonte e passou pela mudança muito bem.

De um momento trágico para um verdadeiro lar dos sonhos.

Flávia resgatou Cegueta há 7 anos quando ela apareceu no bairro Eldorado (Contagem) com o rosto e olhos bastante inchados e o nariz quebrado. Não se sabe se foi atropelada ou levou uma pancada. Depois de ficar 1 mês internada em uma clínica, Flávia então decidiu leva-la para casa, como lar temporário. Quando viu que a gatinha já estava reconhecendo a casa perfeitamente, não pensou duas vezes e a efetivou como moradora da casa. Ela é o xodó da casa.

Gatinha Cegueta

Dicas e alegrias.

Alguns animais precisam fazer a cirurgia para retirada do globo ocular e fechar o espaço vazio para que não fique suscetível a inflações. O pós-operatório normalmente é muito tranquilo. Em Belo Horizonte existem ótimos cirurgiões veterinários.

É unanime para todos que a adaptação é rápida e que em poucos dias eles “mapeiam” o ambiente, identificando os móveis e principalmente onde fica a comida e caixa de areia. Às vezes é comum esquecer um objeto no meio do caminho e eles trombarem de surpresa, mesmo assim, com o tempo eles ficam mais cautelosos. Seus bigodes e ouvidos são ótimos sensores.

Brinquedos com guizos ou qualquer objeto que façam barulho são sempre um chamariz. Carolina conta que sua gatinha não resiste a uma bolinha de papel alumínio. Eles também adoram uma textura e sabem pelas patinhas qual é o ambiente que estão. Arranhadores de sisal e caixas de papelão são diversão garantida.

Porém é preciso se atentar. Glória relata quando Maria subiu em uma escada vazada e só conseguiu descer depois de miar muito e ser guiada por sua tutora, que mostrou para ela como faria para descer.

Todos os tutores descrevem a alegria e a diversão que é ter um gatinho cego em casa. Além de verem diariamente a gratidão que esses animais sentem ao viverem em um lar seguro e cheio de amor, eles ensinam muito sobre coragem e autonomia.

Todos merecem uma chance!

Dica de livro: A Odisséia de Homero

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A Odisseia de Homero – A história de um gato cego destemido e as lições que ele me ensinou sobre o amor e a vida

Autora:  Gwen Cooper

Por Maria Carolina Gavioli

 

Um gato, preto, rejeitado e cego! Uma tutora que transformou sua maravilhosa experiência em um bestselling pelo New York Times. Quando vi a capa deste livro pela primeira vez sabia que encontraria uma história que me marcaria para sempre.

A história gira em torno de Homero e sua tutora, Gwen. Depois de ser resgatado com uma grave infecção nos olhos, com apenas 3 semanas, ele passou por uma cirurgia que salvou sua vida, porém tirou sua visão para sempre.

A narrativa da autora de toda sua experiência com um gato que tinha tudo para ser medroso e introspectivo e tornou-se um destemido companheiro é de encantar qualquer apaixonado por gatos. Posso dizer até, que mesmo os menos apaixonados ficarão entretidos.

Uma das passagens que mais me impressionou foi quando o apartamento de Gwen foi invadido durante a noite e o gato, mesmo sem olhos, enxergou o perigo. Toda sua lealdade e gratidão veio à tona neste momento crucial da vida de sua tutora.

Foram muitos anos e muitos relatos que este gatinho sortudo e essa tutora incrível viveram. Cada memória revela o quanto Homero ensinou Gwen sobre amor, superação e transformação. Com esta experiência veio também uma atitude muito generosa. Para honrar a memória de Homero, Gwen doa 10% dos royalties do livro para organizações que resgatam animais.

Aguardem nossas próximas postagens, teremos uma matéria especial sobre gatos cegos!

Love isn’t something you see with your eyes. – Gwen Cooper

Amor não é algo que você vê com seus olhos.

Pedrinho

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Pedrinho

Resgate / Vida no abrigo:

Pedrinho foi resgatado das ruas ainda bem pequeno, com cerca de 40 dias de vida, em março de 2014, e foi abrigado em uma petshop. O problema é que ele ainda não comia ração e precisava de uma mãe de leite. Ele foi, então, acolhido pela doce Clarice no BG que o amamentou enquanto ele precisava. Tanto a Clarice quanto seus outros filhotes foram adotados, restando o Pedrinho, com sua personalidade mais assustada, à espera de uma família.

E o tempo foi passando. Pedrinho completou 2 anos de vida no abrigo. Cresceu, ficou um lindo gato amarelo com pintinhas no nariz rosa, mas foi ficando cada vez mais arredio. Porém, ele sempre se rendeu aos encantos da Dra. Camila Ribeiro, a veterinária que cuida dos gatinhos do abrigo. Quando os gatinhos do BG foram testados para FIV e FeLV, veio a surpresa: Pedrinho era positivo para FeLV! Nunca perdemos a esperança, mas sabíamos que não seria fácil um gato adulto, arredio e ainda com uma doença pré-existente ter um lar. Mas eis que a Dra Camila, que já o amava, resolveu assumir esse amor e leva-lo para sua casa em abril/2016! Agora Pedrinho tem irmãos de espécies diferentes e tem ficado mais tranquilo e à vontade a cada dia.

Depoimento adotante – Camila

Quando o Pedrinho chegou ao BG, já percebi que era um gatinho muito assustado. Ficava sempre escondido, nunca interagia com as pessoas. O tempo foi passando, ele se tornou um adulto, e o temperamento não melhorava…. A maioria das pessoas tinham medo dele, quanto fuzz ele fazia! Mas na verdade, era apenas uma forma de tentar se afastar.

Ninguém nunca escolhia ele, apesar de ser um gato lindo. Então pensava: esse vai ser um gatinho que vai passar a vida inteira no abrigo…

Comecei a sentir um carinho diferenciado por ele, justamente por ser tão especial.

Pensei muito, já tinha outros animais em casa, como seria a adaptação de todos. Decidi adotá-lo!

E aí que veio a surpresa: Pedrinho é portador da FELV, uma doença provocada por um vírus que, dentre tantas coisas, causa leucemia. Confesso que fiquei chateada em saber. Mas, arisco e com FELV, quem iria querer? Agora sim ele iria ficar para sempre no abrigo…

Bati o martelo, quem vai ficar com ele sou eu!!

Construí um “complexo de divertimento felino” pensando nele, com tocas e muito conforto, para que ele se sentisse bem em um ambiente diferente do que estava acostumado.

Trouxe-o para casa. Nas primeiras semanas, só ficava escondido. Aos poucos foi se soltando. Fiquei muito feliz quando ele se permitiu ser visto bebendo água pela primeira vez!

No começo eu “subornava” ele com patê para gatos, e adicionava floral junto na mistura. Hoje ele me pede comida, fica no mesmo ambiente em que estou, com tranquilidade.

Pedrinho ainda não é um gato de colo. E também tudo bem se ele nunca for. Penso que devemos respeitar a individualidade do animal, não quero forçá-lo a nada. Quando ele se sentir confortável, estarei pronta a aceitar. Cada coisa em seu tempo, não é verdade?

E quanto a doença dele, farei sempre o meu melhor. Ele está bem de saúde, em ótimas condições. Tenho outros gatos e todos foram vacinados com a vacina contra FELV antes do Pedrinho chegar.

Quando eu vejo meu ruivo de nariz pintadinho tranquilo tirando uma soneca ou admirando a paisagem, penso: que bom que nos demos essa chance. Eu ainda estou ensinando o dom da confiança. E ele me ensina todos os dias o dom de amar.

Pedrinho agora se chama Rajesh, um nome de origem sânscrito, que significa “o deus dos reis”.

Baunilha e Pirulito

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Pirulito (David) e Baunilha (Afrodite)

Resgate / Vida no abrigo:

David era um gato tímido. Ele é filho da Vivi, uma super mãezinha que passou pelo BG com seus filhotes naturais e vários adotivos, como Théo, Lobão e Charlie. Dos seus filhotes naturais só o David permaneceu no BG. Todos, inclusive a mamãe, foram adotados, e o tempo foi passando… Praticamente nascido no BG, David aguardava há um ano e meio sua chance. Mas ele era tímido… Os adotantes chegavam e ele preferia ficar quieto, na dele. E foram tantas feiras… Mas eis que a adotante chegou em novembro de 2014! Foi amor à primeira vista! A timidez dele não a intimidou. A adaptação surpreendeu a todos e mal se pode dizer, hoje, que o David seja o mesmo gatinho tímido do BG, que até aceitava carinho, mas contrariado. Hoje ele e seu irmão felino são felizes e até acordam sua mamãe com lambeijos cheios de amor.

Afrodite e seu irmão Sultão chegaram bem pequenos e órfãos ao BG. Como ainda estavam frágeis, depois de uns dias, mesmo recebendo vitaminas e antibióticos, tiveram que ser internados com diarreia, gripe e anemia. Terminaram o tratamento na casa da voluntária Gloria. Quando retornou para o BG foi adotada rapidamente, porém, devolvida no dia seguinte.
E, um ano e dois meses depois, nossa oncinha pintada foi escolhida por uma família muito especial! Ela foi finalmente adotada pela família do Pirulito, que foi uma das adoções mais emocionantes que já tivemos. E a nossa oncinha Afrodite não poderia esperar por uma família mais amorosa, ao lado dos irmãos Pirulito e Tapioca. Adotada em abril de 2015, ela hoje se chama Baunilha.

Depoimento adotante – Priscila

A vida inteira eu sempre tive bichos. De todos os tipos, todas as cores, todos os humores. O único animal que eu nunca tinha tido sequer contato era gatos. Não sei exatamente o porquê. Até o dia em que eu me mudei para um apartamento. Não queria ficar sem bichos, não poderia ter um cachorro porque ele ficaria muito tempo sozinho, não queria um peixe porque a interação é muito pouca. Aí me sugeriram gatos. Fiquei quase um ano pensando na possibilidade. “Gatos são traiçoeiros. Gatos não gostam dos donos. Gatos não interagem. ” Conversei com algumas pessoas que tinham, tive um breve contato com a gata de uma amiga, li bastante a respeito (hoje sei que li verdades e mentiras – é preciso achar fontes confiáveis). Até que, ainda com um pé atrás, decidi tentar. Encontrei a Gato Uai pela internet e fiz contato. Queria dois gatos. Fiz a entrevista, e dois dias antes de buscar os irmãos que eu tinha escolhido, acabei sendo adotada por um gato que foi abandonado na minha rua. Decidi então adotar apenas mais um. Fui ao abrigo ainda sem saber direito como lidar com eles. Lá vi gatos de todo jeito. Carinhosos, medrosos, ariscos, engraçados, brancos, pretos, cinzas, coloridos. Vários gatos se jogando no colo de quem chegasse, ávidos por atenção. Mas um frajolinha me chamou atenção. Seu nome era David. Ele ficava no cantinho, com a cabeça baixa, olhando de rabo de olho. Perguntei por ele, a voluntária que me acompanhava falou: “esse é o David. É manso, mas assustado. Não aceita carinho espontaneamente. ” Continuei no abrigo por mais uns 40 minutos. A indecisão era grande, muita vontade de levar todos para casa, pouco traquejo com esses seres que eu nunca tinha tido contato na vida. A cada um que eu interagia, eu olhava para o cantinho e lá estava David me olhando de soslaio. Acho que ele pensava “tudo bem, é só mais uma adotante de um gato extrovertido e brincalhão. Daqui a pouco ela vai embora e eu vou ficar aqui sozinho de novo”, mas eu me apaixonei por ele.  Geralmente os gatos escolhem os donos, mas nesse caso eu que escolhi mesmo. David me odiou no primeiro momento. Ficamos um bom tempo correndo atrás dele para poder trazê-lo para sua nova casa. Jamais vou esquecer a carinha de contrariado dele na foto oficial de adoção ahahaha chegando em casa, eu tinha dois gatos recém chegados e não tinha a menor ideia de como lidar com eles. Mas dizem que quando a pessoa não tem consciência do tamanho do desafio, acaba sendo fácil. Foi assim com David (que foi batizado de Pirulito). Depois de 3 dias debaixo do armário da cozinha, eu não aguentei e de madrugada fui lá decidida a fazer amizade com ele. Passei algumas horas deitada no chão, com a mão próxima dele, pra ele se acostumar comigo. E aí lembrei que uma amiga tinha me falado que se piscarmos bem devagar, isso é sinal de confiança que passamos para o gato. Fiz isso, e não é que ele saiu de baixo do armário? Em uma semana ele já aceitava carinho e as veteranas do abrigo ficaram abismadas com o tempo recorde que um gato totalmente assustado passou a ser um gato que dá cabeçadinhas pedindo afago. Seis meses depois, em uma visita despretensiosa ao abrigo, acabei conhecendo Afrodite. Era uma tigrada miúda que estava escondida debaixo do edredom da cama. Com poucos minutos ela ganhou o meu coração pedindo carinho e ronronando alto. Porém, ao trazê-la para casa, Baunilha (seu novo nome) ficou bastante assustada e não aceitava mais carinho. Embora já conhecesse Pirulito do abrigo, ela teve muita dificuldade em acostumar com seus dois irmãos e com a casa nova. Mas dizem também que a paciência é uma virtude… Baunilha levou 6 meses para se acostumar com o novo ambiente, e com muito amor, paciência e respeito ao tempo dela, tudo ficou bem. Hoje Baunilha chega a babar de tanto ronronar no meu colo! Além disso, é uma gata com hábitos de cachorro, que adora trazer os brinquedos para eu jogar e ela buscar pra eu jogar de novo! rsrs Bom, essa é a história do Pirulito e da Baunilha e de como eles enchem a minha vida de amor!

Dodó e Charlotte

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Dodó (Roney) e Charlotte (Maya)

Resgate / Vida no abrigo:

Maya apareceu na rua de uma de nossas voluntárias e parecia ainda ser filhote. Ficava do outro lado da rua de madrugada só observando enquanto os outros animais, ariscos, eram alimentados. Aí ela passou a compartilhar a comida deles, porém continuava desconfiada.

Um dia ela pareceu mais gordinha. Mas alguns dias depois não estava mais. Quando enfim ela se deixou aproximar, acreditávamos que ela logo seria castrada e teria a oportunidade de ser adotada. Infelizmente esta não é a realidade de animais que vivem nas ruas. Tomamos conhecimento que ela havia tido filhotes na garagem da casa vizinha, no meio de entulhos, e eles queriam tirar todos de lá.

O resgate foi longo e difícil, primeiro a mãezinha e um dos filhotes foram pegos, os outros se enfiaram nos entulhos e não apareciam por nada. Foram dias de gatoeiras e expectativas (nossa e dela, que estava apreensiva na gaiola da clínica esperando seus bebês). Depois que a família toda foi reunida (05 filhotes), ela relaxou. Eles ficaram alguns dias na gaiola, até terem vaga no BG. Sua bebê Amélie já chegou ao BG com adotante. Era só esperar desmamar. E assim desmamou, a linda Maya foi castrada e foi a 2ª da família a ser adotada. Afinal, quem resiste a essa cinzenta misteriosa? E ainda foi uma adoção conjunta com o Roney.

Roney é daqueles gatos unanimidade: todo mundo apaixona!
A voluntária Tânia estava chegando a seu local de trabalho quando viu aquela figurinha se esfregando em todos que passavam em frente de uma loja. Ela achou que tivesse dono, mas a informaram que ele era da rua mesmo, tinha aparecido por ali. E apesar de grande, ainda era um filhotão. Ela ficou o dia todo com ele na cabeça e resolveu pegá-lo, mesmo sem ter para onde levar.
Depois de uns dias na clínica derretendo até os corações mais gelados, ele foi para o BG. E no BG foram só alguns dias para o voluntário Ricardo Bauer se apaixonar e resolver levar ele e a Maya pra casa.

Adotados em Agosto de 2015.

Depoimento adotante – Ricardo

Adotar um animalzinho é um ato que se inicia com uma série de planejamentos e considerações, e que se finaliza com uma feliz constatação: somos nós os maiores beneficiados com a presença cotidiana desses seres mágicos. Dodó desde o início foi um gato muito manhoso e carinhoso, é um verdadeiro reizinho. Suas peripécias e artimanhas encantam a todos. Charlotte foi diferente, pois nela operou-se uma grande transformação: de gata assustada e arredia passou, em pouco tempo, a uma companheira sempre presente – demanda atenção e oferece afeto em abundância. Ambos trouxeram à família insubstituíveis momentos de amor e humor, uma adoção conjunta para ser sempre festejada.

Laura

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Laura e Porthos

Resgate / Vida no abrigo:

Laura é a guerreira de olhos tristes, mãe dos metrozinhos. Depois de se desdobrar na estação de metrô para cuidar dos seus filhotes e de outra ninhada de uma gata morta nos trilhos, foi resgatada exausta e com infecção. Mesmo sem poder amamentar não queria ficar longe dos filhotes que não lhe davam um minuto de sossego.
Depois de curada, foi vacinada, castrada, fez tratamento para olhos, que têm um probleminha de lubrificação, e ficava quieta pelos cantos do BG resignada, a espera de um lar que talvez ela achasse que nunca conheceria.
Mas esta realidade mudou, assim que sua família foi visita-la no abrigo.

Porthos e seus 02 irmãos mosqueteiros foram descartados num saco de lixo para morrer. Mas tiveram uma nova chance e foram para o abrigo bem novinhos. Porém a vida no abrigo, no meio de tantos gatos, sem contato intensivo com humanos, as vezes faz com que gatinhos tímidos fiquem mais retraídos com o passar do tempo.
O Porthos foi crescendo e gostando de ficar escondido. Mas se a gente ia lá e o puxava de trás de um arranhador ou debaixo na coberta da cama, ele se rendia aos carinhos.
E felizmente uma família enxergou além da timidez e resolveu dar ao Porthos a chance de se sentir realmente seguro e ser feliz. Hoje ele se chama Tadeu.

Laura e Porthos foram adotados em novembro de 2015.

Depoimento adotante – Xênia

Nunca pensei em cuidar de gatos na minha vida!!!! Sempre tive só cachorros. Mas quando os meus dois últimos faleceram, meu marido disse que não queria mais nenhum. Ele e eu claro, havíamos sofrido bastante com as perdas. Pois bem, ficamos algum tempo sem animais. Mas de repente foi dando um vazio inexplicável, mas meu marido estava irredutível quanto a possibilidade de arrumarmos outro cachorro. Foi quando comecei a prestar mais atenção nas pessoas que tinham gatos de estimação. Sempre achava interessante o modo com que elas se relacionavam com seus bichanos: amor extremo. Aí pensei em visitar um abrigo e quem sabe adotar um gato, mas só um e com exigências: tinha que ser filhote, macho e preto kkkkk. Foi aí que conheci o Gato Uai por indicação de uma aluna. Chegando lá, fiquei encantada com o trabalho dos voluntários: quanto amor e dedicação envolvidos!!!! Admirável mesmo. E então expliquei a querida Flávia que me acompanhara, o tipo de bichano que eu queria. E Flávia acabou me convencendo a levar o Tadeu, um gato lindo mas adulto kkkk. Mas não parou por aí nãoooo!!! Acabei conhecendo a Laura, uma gata adulta tristonha e famosa pela sua história de vida difícil nas ruas. Moral da história: fiquei comovida e a levei para casa junto com Tadeu!!!! Ah e depois para aumentar a galera de serumaninhos, ainda arrumei o dog Ismael kkkkk que por sinal aprendeu a conviver muito bem com os bichanos!!!! Minha história é essa e sou muito feliz com esses meus filhos e creio que eles também. Xenia, adotante de Laura e Tadeu.

Charlie

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Charlie

Resgate / Vida no abrigo:

Charlie e seus irmãos foram resgatados órfãos, e acolhidos pela doce Vivi no BG ainda em 2013. Era uma turminha toda deliciosa!
Foram desmamando, sendo adotados primeiro os peludinhos tigrados e os que ficaram foram crescendo. Demorou um pouco, mas seus irmãos adotivos Lobão, Théo e finalmente David ganharam um lar. 
Mas a vida reservava mais emoções ao Charlie. A 1ª adoção, ainda filhote, durou em torno de 24h. Os cães da casa não aceitaram sua presença.
Passado um tempo, Charlie apresentou uma diarreia persistente. Mesmo depois de vários tratamentos, internação e dieta especial, constatamos que é um quadro crônico, que vai e vem. Mas isso em nada afeta sua lindeza, seu pelo brilhante e seu miado doce e fino. Só faz com que ele se estresse um pouco e evite a gente enquanto está tomando medicação.
Aí veio a 2ª adoção, após uns 10 dias, quando ele já era dono da cama e do sofá, a adotante concluiu que não estava disposta a lidar com a diarreia dele.
De volta ao abrigo, meses se passaram, quando veio a 3ª adoção. Desta vez parecia certo!  Mas, depois de 02 meses, quando a diarreia voltou, o Charlie também voltou para o abrigo…
Ele continuava lindo, dengoso e carinhoso, à espera da família certa.
E não é que ao apagar das luzes de 2015 um casal muito especial que já acompanhava a história dele há um tempo tomou coragem e resolveu adotar o Charlie? O coração do papai e da mamãe ele já tinha conquistado há tempos, quando chegou na nova casa só foi preciso conquistar os irmãos felinos, o que aconteceu e todos vivem em harmonia!

Depoimento adotante – Dani e Felippo

Em 2014 fomos no BG conhecer o abrigo. O lugar é muito bem cuidado pelos voluntários e tem vários gatos lindos! Nos apaixonamos pelo Charlie que veio nos receber e ficou pedindo carinho, mas infelizmente não adotamos porque nosso felvinho estava em tratamento. 

Em 2015 Charlie foi adotado e depois devolvido. Foi a 3ª vez que Charlie ganhava uma casa e voltava para o abrigo. Ficamos muito triste e começamos a conversar sobre a adoção dele. Para nossa alegria passamos na avaliação! No natal do mesmo ano nosso pacotinho do amor veio para nossa casa. Charlie ganhou muito carinho e “esmagos” de amor! 

A família cresceu e hoje Charlie tem 5 irmãos (todos negativos vacinados para conviver com o felvinho). Charlim se dá bem com a turma toda! Ele é nosso denguinho que enche a casa de amor! 

Agradecemos todos voluntários que cuidaram muito bem do Charlie enquanto ele esteve lá e que acreditaram que nossa casa seria realmente um lar para ele. 

Charlie pediu para mandar uma mensagem: adote um amigo! Dê chance para um gato adulto! Adotar é um gesto de amor! Lambeijos do Charlie e da turma toda! 

Trovão e Caju

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Trovão (Lírio) e Caju

Resgate / Vida no abrigo:

Caju é de uma linhagem de gatos ariscos, sendo alguns ferais.
Sua família escolheu morar na Savassi e lá acharam um aliado que os alimentava. Mas os comerciantes da região sempre ameaçavam envenenar a todos.
Na época da inauguração do BG2 chegamos a acolher algumas matriarcas desta família. Mas a vida em cativeiro perto de humanos para elas era insuportável. Além do pânico em seus olhos, começaram a se auto mutilar. Mantê-las ali seria simplesmente crueldade para poder bradar que foram tiradas das ruas.
Foram vacinadas, castradas e tiveram a chance de ir morar em um sítio, com a privacidade que necessitam e a ração garantida.
Mas alguns membros da família ainda estavam na Savassi e continuavam a procriar. Numa dessas ninhadas, nasceram Caju e Cocada.
Assustados para não negar o sangue, mas não chegavam a ser ferais – havia uma esperança.
Uma temporada na casa da voluntária Miriene ajudou e construir a confiança em humanos. Mas uma inflamação persistente na gengiva e a medicação diária faziam despertar as oncinhas que neles habitavam. Precisaram fazer cirurgia para controlar a inflamação.
Depois de 02 anos no abrigo, Cocada adoeceu e nos deixou…
Caju sentiu a falta de seu irmão companheiro, mas sua perda sensibilizou a adotante, que resolveu dar uma chance de ser realmente feliz a esse ex-arisco.
Caju foi adotado em Janeiro de 2016.

Lírio é um dos filhotes da Gardênia. Ele nasceu no BG, cresceu, viu suas irmãs ‘sialatas’ sendo adotadas, viu sua mãe ser adotada, sua irmã Hortência também frajola ser adotada e devolvida, e ele continuava no abrigo.

Ele, que se transformou em um gato grande, forte, de pelo macio e muito carinhoso, já tinha ido em várias Feiras de Adoção, mesmo quando filhotinho e nada… Ele até que tentou se impor como macho alfa no BG, mas a concorrência com os mais velhos era grande, e continuou no abrigo por mais de um ano aguardando por uma família para chamar de sua. 
E, finalmente, no feriado de Natal, essa família apareceu!

Adotado em Dezembro de 2015.

Depoimento adotante – Vanessa

A ideia de adotar um gato nasceu da vontade de dar um irmãozinho para minha gatinha recém adotada Aurora, que era muito manhosa e medrosa. Soube do BG e fui em busca de um gato extrovertido que demonstrasse facilidade em interagir mesmo com pessoas estranhas. O Cajú foi um dos primeiros que me chamou a atenção por ser lindo, mas com um olhar triste e medroso. Depois que soube da história em que perdeu seu irmão e super companheiro, não tive dúvidas que queria leva-lo para casa. De qualquer forma, o desejo por um gato extrovertido e mais corajoso ainda me rondava. Então, o Trovão começou a brincar comigo e mostrou ser o gatinho que eu queria para fazer parte da família. Resultado: fui adotar um irmão e acabei com dois. Hoje os três gatinhos são muito unidos, carinhosos e brincam bastante entre si. O Trovão é o queridão da minha casa, que faz todo mundo rir o tempo todo e recebe todas as visitas com o seu jeito dominador e peculiar. O Cajú mantém seu perfil medroso, mas é um gato travesso no estilo mineirês “como quieto”, mas muito carinhoso e dengoso.

Cleo

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Cléo

Resgate / Vida no abrigo:

Cléo e seus filhotes foram dos últimos hóspedes a chegarem no BG1. Os filhotes assim que tiveram idade suficiente foram adotados. A mamãe Cléo ficou desolada e, por isso, foi para a casa da voluntária Glória ver se aceitava amamentar outros bebês que foram achados sem a mãe. Mas lá chegando constatou-se que ela estava com mastite. Então ficou na Tia Glória para se recuperar e ser castrada. Foi assim que ela escapou do massacre… Mas ela é mais um exemplo da nossa missão sendo cumprida: mãezinha resgatada, tendo oportunidade de amamentar seus filhotes com tranquilidade, ser castrada, vacinada, vermifugada e encaminhada para adoção.

Em Julho de 2013 ela foi adotada e após estar totalmente adaptada foi devolvida, pois sua adotante teve que se mudar de Belo Horizonte. Ela viveu no BG até janeiro de 2015, quando finalmente ganhou um novo lar!!!
Alguns meses após a 2ª adoção, a voluntária Flávia, acompanhando o pós-adoção, ficou sabendo que a Cléo tinha emagrecido muito. Num primeiro momento os adotantes tinham achado normal, porque na nova casa ela tinha muito espaço para se exercitar e ela realmente estava uma bolinha. Mas, pelo que foi apurado ao telefone, a situação já tinha passado do razoável e ela precisava de atendimento veterinário, e os adotantes estavam inertes.
Neste momento foi necessária uma intervenção e fomos buscar a Cléo. A gata estava pele e osso… 
Como era um sábado à tarde, corremos para uma clínica 24h, para que ela pudesse já ser atendida e começar a tomar soro e medicação. Ela saiu do abrigo com mais de 5kg e deu entrada na clínica com pouco mais de 2kg. A Cléo desenvolveu um quadro de lipidose hepática, que acontece quando o gato para de comer. Mas, porque ela parou de comer, não sabemos.
Depois de uma semana, transferimos a Cléo para a nossa clínica parceira e continuamos o tratamento que era basicamente medicação e alimentação forçada de 3/3h, além de oferecer todo tipo de guloseima que estivesse ao nosso alcance. Foram patês industrializados e caseiros, latas de atum, carnes grelhadas e rações diversas.
Depois de semanas internada, a voluntária Paty L. resolveu levá-la para casa e cuidar dela lá. Ela não precisava mais ficar na clínica, mas ainda tinha um caminho a percorrer até a total recuperação e o BG não tinha as condições adequadas para tanto.
Aí na casa da Paty é que ela foi realmente mimada e, depois de alguns meses, estava a nossa gorducha geniosa de sempre!
Em tese ela deveria, então, voltar para o BG, onde seria vista pelos adotantes que lá vão conhecer os hóspedes. Mas houve uma certa resistência a este retorno…
E mais meses se passaram até que em Fevereiro de 2016 foi oficializado: a Cléo foi adotada pela Tia Paty L.!!!!
Gata guerreira agora pode relaxar porque será verdadeiramente amada e cuidada por toda a sua vida!

Depoimento adotante – Patrícia Luíza

Quando resolvi dar (LT) lar temporário para Cléo, que ainda precisava de alimentar de 3 em 3 horas, meu filho se prontificou a ajudar pois fica em casa o dia todo, com apoio do meu marido Helton, eu a princípio falei que ela precisava de tratamento de 60 dias. O grande desafio foi medicar, mas graças a Deus deu certo ela já sabia que após o remédio viria coisas gostosas.

Os 60 dias viraram meses, até que em fevereiro de 2016 prometi para Cléo que jamais seria devolvida pois ali seria o seu lar e não iria desistir dela. Já a amava demais para levá-la de volta para o abrigo.

Cléo agora tem 5 irmãos, sendo 2 deles, Ian e Anita, que também são do abrigo no qual aprendo todos os dias com cada um deles.  Amor que não explica. Muito obrigada a equipe Gato Uai.

Bravo e Delta

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Delta (Thiago) e Bravo (Roberto)

Resgate / Vida no abrigo:

A dupla dinâmica mais incrível do BG: Thiago e Roberto! Eles foram dois dos 11 filhotes resgatados em Contagem, em 2014. Já na nossa clínica veterinária parceira, não foram adotados e mais tarde foram para o BG. Roberto, o mais brincalhão e agitado, contrastava com a personalidade de Thiago, mais tímido, porém muito carinhoso. Ambos conseguiram conquistar a todos que visitavam o abrigo, era muito fácil fotografá-los de formas engraçadas e se apaixonar, o que deixava tudo mais encantador.

A primeira adoção deles durou poucos dias, foram da casa do adotante direto para a clínica tratar de uma diarreia que perdurou por bastante tempo, quase viraram mascotes da clínica.

Na segunda adoção eles ficaram por um ano, totalmente adaptados, parecia enfim que eles teriam sua história com final feliz. Um ano depois o adotante mudou de emprego e ficaria viajando a maior parte do tempo, sem ter com quem deixar os gatos. Depois de vários esforços nossos e também do adotante para que eles não voltassem para o abrigo, eles conseguiram um novo lar!

Depoimento adotante – Márcia

Por quatro anos a Catarina era minha única companheira. E a quatro anos que ela exigia minha atenção única todos os dias. Uma humana não tem a mesma energia deles de querer brincar sempre mais um pouquinho. Um dia resolvi arrumar um irmãozinho para ela. Na mesma semana que pensei vi Thiago e Roberto para adoção no Facebook. Mas a ONG exigia adoção conjunta, por que os irmãos eram muito apegados, depois de muito pensar se dois no lugar de mais um não seria muito entrei em contato. Mas já haviam sido adotados. O tempo passou, esqueci da adoção de um novo bebê gatinho e continuamos eu e Catarina. Ela a cada dia mais entediada, pelo meu fluxo de trabalho. Tenho depressão desde criança e nesse período minha doença foi um ápice por causa de problemas pessoais. Com isso continuava dando todo meu amor a ela, mas minha energia já era e voltei com a ideia da adoção de um irmão. No dia seguinte a comentar em casa que queria adotar, adivinha? Delta e Bravo, os nomes que tinham agora foram devolvidos e voltaram para adoção. Era o meu sinal, era o sinal de que eles teriam que ser meus. Hoje vejo o porquê real da adoção conjunta. Bravo é um irmão corajoso e que cuida do irmão. Teve um acidente há alguns meses atrás aqui, porque apesar da carinha de anjos os dois são muito, MUITO bagunceiros. Tive que levar Delta para o veterinário, se machucou fazendo bagunça e o Bravo chorava na porta que eu ouvia do elevador. Haha… Eles são “Bone and Claide”. Bravo me fez praticar o desapego material na marra, pois comeu minha bolsa preferida, meu coturno preferido, meu cinto preferido, e vários chinelos havaianas… parei de comprar e hoje ando com havaianas comido de gato e sou a louca dos gatos. Brinco com Delta que eles foram devolvidos tantas vezes por culpa do irmão que ele tanto ama. Haha

Mas quando o ex-adotante desistiu e me deu eles, ele me deu um presente, melhor dois. E imensos presentes. Delta é o meu chamego, todo dia vem me acordar pela manhã, deita no meu peito e ronrona. Nunca vi um gato tão carinhoso. E Bravo é o namorador, enche a mãe adotiva de beijinhos de esquimó todos os dias. Eles são minha vida e precisam de mim tanto quanto eu deles todos os dias.

Agora somos 4, Bravo, Delta, Catarina e Eduardo. Tem mais gatos que gente nesse apartamento é muito mais amor que em outros lares! 

Filhos, Bravo e Delta vocês nunca mais serão devolvidos. Vão viver comigo até partirem… sabe por que? Por que a verdade é que eu preciso de vocês mais do que vocês de mim.