Pedrinho

Resgate / Vida no abrigo:

Pedrinho foi resgatado das ruas ainda bem pequeno, com cerca de 40 dias de vida, em março de 2014, e foi abrigado em uma petshop. O problema é que ele ainda não comia ração e precisava de uma mãe de leite. Ele foi, então, acolhido pela doce Clarice no BG que o amamentou enquanto ele precisava. Tanto a Clarice quanto seus outros filhotes foram adotados, restando o Pedrinho, com sua personalidade mais assustada, à espera de uma família.

E o tempo foi passando. Pedrinho completou 2 anos de vida no abrigo. Cresceu, ficou um lindo gato amarelo com pintinhas no nariz rosa, mas foi ficando cada vez mais arredio. Porém, ele sempre se rendeu aos encantos da Dra. Camila Ribeiro, a veterinária que cuida dos gatinhos do abrigo. Quando os gatinhos do BG foram testados para FIV e FeLV, veio a surpresa: Pedrinho era positivo para FeLV! Nunca perdemos a esperança, mas sabíamos que não seria fácil um gato adulto, arredio e ainda com uma doença pré-existente ter um lar. Mas eis que a Dra Camila, que já o amava, resolveu assumir esse amor e leva-lo para sua casa em abril/2016! Agora Pedrinho tem irmãos de espécies diferentes e tem ficado mais tranquilo e à vontade a cada dia.

Depoimento adotante – Camila

Quando o Pedrinho chegou ao BG, já percebi que era um gatinho muito assustado. Ficava sempre escondido, nunca interagia com as pessoas. O tempo foi passando, ele se tornou um adulto, e o temperamento não melhorava…. A maioria das pessoas tinham medo dele, quanto fuzz ele fazia! Mas na verdade, era apenas uma forma de tentar se afastar.

Ninguém nunca escolhia ele, apesar de ser um gato lindo. Então pensava: esse vai ser um gatinho que vai passar a vida inteira no abrigo…

Comecei a sentir um carinho diferenciado por ele, justamente por ser tão especial.

Pensei muito, já tinha outros animais em casa, como seria a adaptação de todos. Decidi adotá-lo!

E aí que veio a surpresa: Pedrinho é portador da FELV, uma doença provocada por um vírus que, dentre tantas coisas, causa leucemia. Confesso que fiquei chateada em saber. Mas, arisco e com FELV, quem iria querer? Agora sim ele iria ficar para sempre no abrigo…

Bati o martelo, quem vai ficar com ele sou eu!!

Construí um “complexo de divertimento felino” pensando nele, com tocas e muito conforto, para que ele se sentisse bem em um ambiente diferente do que estava acostumado.

Trouxe-o para casa. Nas primeiras semanas, só ficava escondido. Aos poucos foi se soltando. Fiquei muito feliz quando ele se permitiu ser visto bebendo água pela primeira vez!

No começo eu “subornava” ele com patê para gatos, e adicionava floral junto na mistura. Hoje ele me pede comida, fica no mesmo ambiente em que estou, com tranquilidade.

Pedrinho ainda não é um gato de colo. E também tudo bem se ele nunca for. Penso que devemos respeitar a individualidade do animal, não quero forçá-lo a nada. Quando ele se sentir confortável, estarei pronta a aceitar. Cada coisa em seu tempo, não é verdade?

E quanto a doença dele, farei sempre o meu melhor. Ele está bem de saúde, em ótimas condições. Tenho outros gatos e todos foram vacinados com a vacina contra FELV antes do Pedrinho chegar.

Quando eu vejo meu ruivo de nariz pintadinho tranquilo tirando uma soneca ou admirando a paisagem, penso: que bom que nos demos essa chance. Eu ainda estou ensinando o dom da confiança. E ele me ensina todos os dias o dom de amar.

Pedrinho agora se chama Rajesh, um nome de origem sânscrito, que significa “o deus dos reis”.