Adotei um gatinho cego

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Ter um gatinho com necessidades especiais normalmente é visto como algo muito desafiador e que exige muito de seus tutores. Muitos acreditam que será necessário fazer adaptações em suas vidas (e casas) para receber o novo animal, porém mostraremos que em pouco tempo e com carinho e paciência, estes animais muito inteligentes têm mais a nos ensinar do que imaginamos!

Gatinha Maria

Para falar sobre deficiência visual em felinos, reunimos algumas voluntárias do BarraGato para dividir suas histórias e experiências. Acreditamos que dividir e instruir é um ótimo caminho para acabarmos com pré-conceitos e quem sabe incentivar mais adoções especiais.

Três histórias. Um mesmo amor.

Quando encontrou Maria junto com seu irmão, Glória não teve dúvidas que ela precisaria de um lar tão especial como ela. Nascida cega, com mais ou menos 40 dias de vida ela não demorou para se adaptar a casa, ela sabia exatamente onde estava a água e comida. Já no segundo dia, seguia os passos de sua tutora, um grude só que nunca mudou. Seu lugar na cama é garantido.

Gatinha Sansa

Assim como Glória, Carolina acredita que adotou uma “falsa cega”, visto que sua gatinha Sansa parece enxergar perfeitamente, até é capaz de pegar mínimos insetos voadores ainda no ar. A gata que era conhecida como KitKat
em nosso abrigo (BG) passou por maus bocados até chegar nas tias do Gato Uai. Resgatada de uma acumuladora de gatos, nasceu sem os olhos e precisou de uma cirurgia para fechá-los por completo.

Gatinha Joaquina

A gatinha carioca, Joaquina também nasceu cega. Ela, que já virou estrelinha, foi resgatada de uma mata no Rio de Janeiro. Seus tutores, Cláudia e Pedro, contam que a conheceram em uma feira de adoção, ela que parecia muito assustada em uma caixa de transportes, ainda tão pequena, se transformou em uma gata espoleta e que adorava correr pela casa. Eles jamais tiveram problemas com adaptação. Tanto que ela veio do Rio para Belo Horizonte e passou pela mudança muito bem.

De um momento trágico para um verdadeiro lar dos sonhos.

Flávia resgatou Cegueta há 7 anos quando ela apareceu no bairro Eldorado (Contagem) com o rosto e olhos bastante inchados e o nariz quebrado. Não se sabe se foi atropelada ou levou uma pancada. Depois de ficar 1 mês internada em uma clínica, Flávia então decidiu leva-la para casa, como lar temporário. Quando viu que a gatinha já estava reconhecendo a casa perfeitamente, não pensou duas vezes e a efetivou como moradora da casa. Ela é o xodó da casa.

Gatinha Cegueta

Dicas e alegrias.

Alguns animais precisam fazer a cirurgia para retirada do globo ocular e fechar o espaço vazio para que não fique suscetível a inflações. O pós-operatório normalmente é muito tranquilo. Em Belo Horizonte existem ótimos cirurgiões veterinários.

É unanime para todos que a adaptação é rápida e que em poucos dias eles “mapeiam” o ambiente, identificando os móveis e principalmente onde fica a comida e caixa de areia. Às vezes é comum esquecer um objeto no meio do caminho e eles trombarem de surpresa, mesmo assim, com o tempo eles ficam mais cautelosos. Seus bigodes e ouvidos são ótimos sensores.

Brinquedos com guizos ou qualquer objeto que façam barulho são sempre um chamariz. Carolina conta que sua gatinha não resiste a uma bolinha de papel alumínio. Eles também adoram uma textura e sabem pelas patinhas qual é o ambiente que estão. Arranhadores de sisal e caixas de papelão são diversão garantida.

Porém é preciso se atentar. Glória relata quando Maria subiu em uma escada vazada e só conseguiu descer depois de miar muito e ser guiada por sua tutora, que mostrou para ela como faria para descer.

Todos os tutores descrevem a alegria e a diversão que é ter um gatinho cego em casa. Além de verem diariamente a gratidão que esses animais sentem ao viverem em um lar seguro e cheio de amor, eles ensinam muito sobre coragem e autonomia.

Todos merecem uma chance!

Dica de livro: A Odisséia de Homero

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A Odisseia de Homero – A história de um gato cego destemido e as lições que ele me ensinou sobre o amor e a vida

Autora:  Gwen Cooper

Por Maria Carolina Gavioli

 

Um gato, preto, rejeitado e cego! Uma tutora que transformou sua maravilhosa experiência em um bestselling pelo New York Times. Quando vi a capa deste livro pela primeira vez sabia que encontraria uma história que me marcaria para sempre.

A história gira em torno de Homero e sua tutora, Gwen. Depois de ser resgatado com uma grave infecção nos olhos, com apenas 3 semanas, ele passou por uma cirurgia que salvou sua vida, porém tirou sua visão para sempre.

A narrativa da autora de toda sua experiência com um gato que tinha tudo para ser medroso e introspectivo e tornou-se um destemido companheiro é de encantar qualquer apaixonado por gatos. Posso dizer até, que mesmo os menos apaixonados ficarão entretidos.

Uma das passagens que mais me impressionou foi quando o apartamento de Gwen foi invadido durante a noite e o gato, mesmo sem olhos, enxergou o perigo. Toda sua lealdade e gratidão veio à tona neste momento crucial da vida de sua tutora.

Foram muitos anos e muitos relatos que este gatinho sortudo e essa tutora incrível viveram. Cada memória revela o quanto Homero ensinou Gwen sobre amor, superação e transformação. Com esta experiência veio também uma atitude muito generosa. Para honrar a memória de Homero, Gwen doa 10% dos royalties do livro para organizações que resgatam animais.

Aguardem nossas próximas postagens, teremos uma matéria especial sobre gatos cegos!

Love isn’t something you see with your eyes. – Gwen Cooper

Amor não é algo que você vê com seus olhos.